segunda-feira, 14 de abril de 2008

Os Coronéis


Com a República, os poderosos coronéis - que ostentavam esse título por concessão do Império que criou a Guarda Nacional - tomaram consciência da possibilidade de legalizar terras em grande escala. No Contestado não foi diferente. Passaram a receber concessões, a requerer e a ampliar seus domínios.
Com a chegada da Lumber, abriu-se a possibilidade de exploração e ganhos com as terras legalizadas, já que a poderosa madeireira não se limitou a explorar as imensas áreas que lhe foram concedidas e negociava com muitos proprietários.
Alguns coronéis, como Francisco de Albuquerque, de Curitibanos, e Fabrício Vieira, do Vale do Timbozinho, tornaram-se especialmente odiados pelos sertanejos que em muitas ocasiões pediram suas cabeças como condição básica para qualquer negociação de paz.
Afonso Camargo, vice-governador do Paraná, era um coronel à distância, mas igualmente odiado pois advogava para a grande madeireira - empresa em que mais tarde deu grandes golpes em negócios de terra. Poderosos, os coronéis tinham muitos afilhados. Durante a Guerra do Contestado viram-se pela primeira vez, no sertão, atacados mesmo por estes, tamanha a revolta dos sertanejos. Francisco Albuquerque, o primeiro, chamou tropas catarinenses para intimidar o monje José Maria e seus seguidores, foi morto após a guerra num declarado ato de vingança.

2 comentários:

Felipe disse...

A história é sempre bela quando se joga luz sobre ela, ainda que seu enredo venha servido com sangue de inocentes. Nunca me interessei pelo assunto, e tomei conhecimento deste post pesquisando sob encomenda de filho. Revivi uma página de minha infância, época na qual um tio-avô nos dizia haver caído prisioneiro, por tres dias, de um certo " coronel Fabrício", durante a guerra dos "pelados". Nada mais disse e nem lhe perguntamos, porque a nós, infantes,nada disso interessava e a ele, já avançado em idade, talvez achasse que não valia a pena contar mais...

Parabéns. O texto vale um aceano.

Joel L Mezadri

O mais profundo do eu disse...

sou paranaense e esta história me intriga e envergonha. não encontramos versões nem piores nem melhores, um lenço negro do silencio teve o objetivo de encobrir tanta crueldade. Hoje busco nas histórias ou na literatura, algo em que fundamentar minha tese de TCC, e nada, o silencio doí muito mais que a verdade.

Obrigada, Sergio Rubim, por aspergir alguma luz.
Já havia lido o livro de A. Sanfort de Vasconcelos que trata de Chica Pelega e este artigo só confirma a ordem dos fatos.

Gostaria muito que outras obras como esta me fosse indicada.