segunda-feira, 14 de abril de 2008

Os Monges


<Monge João Maria (Anastás Marcaf), que encantou-se no Morro do Taió

A região do Contestado foi largamente percorrida por dois monges, de 1845 a 1908. O primeiro se chamava João Maria D’Agostini, era italiano de origem. Benzia, curava e não fazia ajuntamento de pessoas nem dormia na casa de ninguém. Veneradíssimo batizou milhares de moradores do sul do Brasil. Desapareceu por volta de 1890.
Em seguida surge outro monge, João Maria de Jesus, nome adotado por Anastás Marcaf, turco de origem. Também percorria o sertão benzendo, curando e batizando. Não juntava gente em volta de si, não dormia nas casas, mas atacava a República. Desapareceu por volta de 1908 e, segundo a população de então, “está encantado no Morro do Taió”.
É um terceiro monge, entretanto, que vai aglutinar o povo do sertão do Contestado e, de alguma forma, levá-los à guerra. Chamava-se José Maria - seu verdadeiro nome era Miguel Lucena e sugeria ser irmão de João Maria. Benzia, curava, batizava e reunia gente ao seu redor lendo, regularmente, o livro do Rei Carlos Magno e seus Doze Pares de França - com seus ensinamentos de guerra. Atacava duramente as autoridades e a República.
Ameaçado pelos coronéis da região do Contestado, o Monge e um grupo de sertanejos deslocaram-se para o Irani, em terras que o Paraná considerava suas, palco do primeiro combate da guerra. A 22 de outubro de 1912, na região denominada Banhado Grande, José Maria e seu grupo são atacados por soldados do Paraná comandados pelo coronel João Gualberto.
Morrem o monge e o coronel.

6 comentários:

Edna Mara Martins disse...

adorei ler sobre os monges do contestado.
parabéns pela informação que nos proporcionou.
minha filha precisa fazer um trabalho na escola e vamos utilizar os conhecimentos aqui adquiridos.
continue escrevendo com grande valor para que assim conheçamos melhor a história de Santa Catarina.

Mayra Wuaden disse...

Olá! Também adorei ler sobre a Guerra do Contestado, tenho um trabalho de história e essas imagens eu achei somente aqui. Parabéns pelo trabalho.

Abraços. Mayra.

Pinário disse...

Exelente trabalho, nossos "dignissímos" parlamentares deveriam le-lo antes de tomarem posse, para adquirerem o mínimo de conhecimento sobre nosso valoroso povo e de como não se tratam as pessoas e meio em que vivem.

Juarez Vieira disse...

Fui advogado e após ver a posição adotada pelo "Ilustre" Rui Barbosa defendendo os interesses escusos da Brazil Raillway sinto vergonha de um dia tê-lo considerado um exemplo de ética e retidão.

Leandro disse...

Tambem me decepcionei com Rui Barbosa.
E o Brasil uma vez vendido, vendido para sempre.

Unknown disse...

Achei esta reportagem, Revista de História da Biblioteca Nacional (01/10/2012), sobre o 1º monge João Maria/Giovanni Maria de Agostini. É interessante as informações sobre o homem que deu início ao mito do "São João Maria" e o que aconteceu depois que ele saiu do Brasil, enquanto o povo daqui achava que ele havia desaparecido. Também chama a atenção o fato de que as fotos que geralmente são creditadas como sendo do João Maria de Agostini, onde ele aparece sentado e com as pernas cruzadas, são, na verdade, do João Maria de Jesus/Anastás Marcaf, o 2º monge. Segue o link da reportagem: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/assim-caminhou-joao-maria